Xarroque
sexta-feira, 19 de agosto de 2022
Eu... O cibercondríaco
É desgastante!
Ser cibercondríaco é um trabalho a tempo inteiro que, por vezes, preenche todas as dimensões da vida e afeta o decorrer normal desta.
Mas, como se sente um cibercondríaco?
Imagine que num dia como todos os outros, sente algum sintoma físico que normalmente não deveria ali estar. Pode ser qualquer coisa. A garganta “arranhada”, umas palpitações mais fortes no coração, um carocinho numa das axilas, uma dor de cabeça, umas tonturas, etc. Qualquer coisa.
O que faz o cibercondríaco nestas situações?
Vai de imediato pesquisar os sintomas no Google. E como toda a gente sabe, os primeiros resultados numa pesquisa Google apontam sempre para um diagnóstico tenebroso. O fim está iminente.
Uma tontura, é um tumor no cérebro. Palpitações ou arritmias, significam que um ataque cardíaco está próximo. A garganta “arranhada”, cancro na laringe. Carocinho na axila, linfoma.
O cibercondríaco, não o faz propriamente para se tranquilizar, fá-lo, inconscientemente, para confirmar aquilo que já espera há muitos anos. Que o fim chegou. Que é altura de partir.
O cibercondríaco flirtea com a morte.
No meu caso, não sou como muitos dos meus companheiros hipocondríacos que vão ao médico inúmeras vezes devido ao mesmo sintoma ou que correm para as urgências dos hospitais assim que qualquer sintoma “anormal” lhes apareça no corpo.
Não, não!
O médico ou os hospitais têm um efeito repelente para mim. Assim como o alho tem semelhante efeito para o vampiro.
Uns 7 anos atrás, quando vivia em Barcelona e tinha então 38 anos, cresceu-me um alto na língua. Googlei os sintomas e todos os meus sintomas apontavam para cancro na língua. Por vezes, cuspia sangue. Foi paralisante! Era quase impossível levantar-me da cama para ir trabalhar. Mas lá ia. Consegui fazer o mínimo para manter-me no posto e não ser despedido. Era difícil socializar com os colegas. Falar de como correu o fim de semana ou do clássico Barcelona-Real Madrid do dia anterior. Só queria chegar a casa, beber cerveja e googlar mais sobre o meu problema de saúde. Quando falava com alguns dos meus amigos, que estavam em Portugal ou em outros países, pensava que provavelmente não iria ter muitas mais conversas com eles. Isto durou uns 8 meses.
Um dia, ganhei coragem e decidi ir ao médico. Em Barcelona o sistema de saúde funciona como um relógio suíço. É totalmente grátis, não se espera muito tempo e sempre há uma clínica com excelentes condições em cada bairro. Só é necessário apresentar o cartão sanitário. Fui atendido de imediato por uma dentista.
A doutora mandou-me abrir a boca, inspecionou o problema durante uns 30 segundos, disse-me que estava tudo bem e mandou-me para casa.
Sendo hipocondríaco, suspeitei do rapidíssimo diagnóstico e decidi perguntar-lhe:
- Está tudo bem??? Posso ir para casa??? Então e o alto na língua?
- Por vezes acontece. Tens tido muito stress ultimamente?
- Sim, algum! (nem ela imaginava o quanto)
- Estás bem de saúde. Não tens nenhum problema. Podes ir para casa.
E lá fui. Meio confuso e ainda a duvidar do eficiente diagnóstico da doutora espanhola.
Quando cheguei a casa estava em êxtase. Uma alegria, uma felicidade que não cabia dentro de mim. Parecia que tinha tomado umas 20 pastilhas de ecstasy.
No dia seguinte, fui trabalhar cheio de energia, como um homem renascido. Até aquele trabalho, que eu detestava profundamente, pareceu-me o melhor trabalho do mundo.
A hipocondria está relacionada com a ansiedade. Com o passar dos anos, aprendi a gerir a ansiedade com o recurso ao álcool e ao tabaco. Um pobre meio, reconheço, que por vezes, agrava a ansiedade. É um círculo vicioso, um “catch 22” em que é difícil sair.
Em 45 anos de existência neste mundo já “tive” próximo de 4 AVCs, contraí o HIV 2 vezes, diversos tipos de cancro em que já perdi a conta, linfomas, ataques cardíacos, esclerose múltipla, a lista é interminável.
Ainda hoje, tenho o alto na língua.
A todos os companheiros e companheiras hipocondríacos, um forte abraço.
sábado, 8 de maio de 2021
Ninguém no Sudeste Asiático usa papel higiénico
Pois é! Ninguém no Sudeste Asiático usa papel higiénico. Usam isto que podem ver nas imagens. A chamada "Bum Gun". Nome curioso. Só traz vantagens.
1.) No se tem de gastar dinheiro em comprar papel higiénico.
2.) É mais higiénico.
3.) É uma versão mais eficaz do "bidé" francês.
4.) A "bum gun" é multifunções. Limpa-nos as partes intimas e é usada para limpar a casa de banho.
5.) Com a "bum gun" evitava-se as corridas loucas ao supermercado para comprar papel higiénico durante os confinamentos.
6.) É amiga do ambiente.
Pensem em instalar a "bum gun" nas vossas casas de banho. A vossa vida não será a mesma!
segunda-feira, 4 de março de 2019
O feminismo de Paula Cosme Pinto
Confesso que não conhecia a autora feminista Paula Cosme Pinto do Expresso, e que apenas tomei conhecimento do seu trabalho há poucos dias.
Fiquei surpreendido com a forma como descreve o mundo. Um mundo injusto marcado pelo patriarcado, onde o homem é claramente o opressor perante uma mulher indefesa, que não se consegue defender por ela própria e que necessita da simpatia de todos por tudo aquilo que tem sofrido ao longo dos séculos. Um mundo que de verdade, não reconheço.
Depois de ler vários dos seus artigos - não os li todos - o que salta à vista é a semelhança nos argumentos com outras feministas internacionais como Anita Sarkeesian, Jessica Valenti ou a veterana, Germaine Greer.
Tudo está lá. A diferença salarial de género, a necessidade de se estabelecer quotas para cargos de chefia, a masculinidade tóxica que precisa ser rapidamente revertida, a brutalidade da violência doméstica cometida pelos homens - e pelos homens só - , o reduzido índice do prisão efectiva para os abusadores, a questão do consentimento no sexo, o excessivo e injusto trabalho que as mulheres exercem no lar, etc. By the book.
Não duvido que a total igualdade de oportunidades entre ambos os sexos seja a meta a atingir. Se é que não foi já atingida no mundo ocidental. E aqui faço questão de frisar, que me refiro apenas ao mundo ocidental. Quando comparamos outras desigualdes de genero na sociedade, verifica-se que em muitas áreas, a sociedade favorece a mulher (ver dados/links abaixo).
Depois de ler os artigos de PCP o que parece é que não se pretende que haja igualdade de oportunidades, mas sim, igualdade nos resultados dessas mesmas oportunidades. O que é algo distinto. Por exemplo, nas sociedades mais igualitárias como na Escandinávia, as mulheres tendem a escolher profissões tradicionalmente ocupadas por mulheres e não o contrario. Esperaria-se que nestas sociedades houvesse mais mulheres em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como a engenharia ou a ciência, mas o que se verifica é exactamente o oposto. Quanto mais igual é a sociedade, mais as mulheres escolhem áreas tradicionalmente ocupadas por mulheres. No entanto, em sociedade menos igualitárias como na Índia, por exemplo, existem mais mulheres em cargos tradicionalmente ocupados pelos homens.
Neste post não vou discutir todos os pontos referenciados acima que justificam - sob o ponto de vista feminista - a existência do regime de patriarcado que oprime as mulheres e sim apresentar alguns dados, baseando-me no trabalhos de Christina Hoff Sommers e Karen Straughan que contradizem a presunção de que as sociedades ocidentais actuais favorecem os homens.
Alguns dados:
Homens europeus vivem europeus vivem menos anos que as mulheres (Europa)
A partir do ano de 2010, as mulheres europeias começaram a viver, em média, até aos 80 anos, enquanto os homens chegavam apenas até aos 72 anos e meio.
Gap nas universidades favoráveis às mulheres atinge valores máximos (Reino Unido)
Acidentes de trabalho vitimam mais os homens que as mulheres (Europa)
Prisões cheias de homens. Mulheres poucas... (EUA)
Homens recebem penas mais pesadas que as mulheres pelos mesmos crimes
The sentencing gap - Why feminists need to discuss gender disparity in the criminal justice system
A diferença de género no suícidio. Homens suicidam-se muito mais...
In the western world, males die by suicide three to four times more often than do females
Mulheres melhor na escola que os homens
By virtually every measure, girls are thriving in school; it is boys who are the second sex.
Há mais mulheres do que homens na medicina (Portugal)
Homens abusados fisica ou emocionalmente não têm a quem recorrer. "Man up!"
Inquérito detectou discriminação salarial de homens na Google
Inquérito interno encontrou uma categoria profissional “particularmente grande” em que os homens estavam a receber menos do que as mulheres.
E a lista poderia continuar.
Se nós - homens e mulheres - lutamos pela igualdade de género deveríamos também, em conjunto, abordar com seriedade os problemas que afectam os homens. Ou os homens não têm quaisquer problemas? Parece que aos olhos das feministas modernas, não! Afinal, segundo estas, a sociedade actual foi concebida de modo a que os homens mantenham o seu status quo à custa de uma perniciosa opressão sobre as mulheres. Por vezes, parece que esta terceira onda do feminismo não é mais do que um "ajuste de contas" com os homens, que algumas mulheres "burguesas" querem levar a cabo devido a uma profunda infelicidade que sentem. Cito a feminista Camille Paglia sobre este último ponto: "Stop blaming men!"
Segundo ainda Camille Paglia: "As mulheres ocidentais estão obcecadas com um sistema profissional ambicioso e competitivo, acreditam que não existe mais nada para além disso. Menosprezam a maternidade e são hostis à religião. Esta visão limitada tem impedido que o feminismo se torne num movimento mundial."
Vamos ver agora, alguns dos títulos dos artigos publicados por PCP no jornal Expresso. Segundo a autora, estas são as grandes lutas com que o movimento feminista se depara nos dias de hoje:
Mamilos levados a tribunal
Três mulheres foram condenadas em tribunal por fazerem topless numa praia de New Hampshire. Em causa está especificamente a exposição pública dos seus mamilos. Quão discriminatório é considerar “indecente” um mamilo feminino mas encarar como aceitáveis os dos homens?
Um decote acentuado faz de uma mulher uma galdéria?
Quem usa cuecas fio dental não precisa de dar consentimento
Não é um incentivo à obesidade, é um elogio à dignidade
Tess Holliday tem 33 anos e, sim, é obesa. Mas mais do que isso é uma pessoa, e estrela das redes sociais graças à sua mensagem de diversidade. Este mês faz capa da Cosmopolitan UK e basta ver a discussão em torno disto para perceber que capas assim fazem falta. Porquê? Porque ao contrário do que muitos apregoam, esta escolha não é um incentivo à obesidade. É, sim, um elogio à dignidade, ao respeito e ao direito de se existir e de se ser livre, independentemente do corpo que se tem.
Todos os corpos são ‘corpos perfeitos de verão’
Enfim...
Na lista de artigos da autora, não encontrei nenhum que se referisse às mulheres que vivem verdadeiramente oprimidas ao redor do mundo. Por exemplo, mulheres que vivem sob a lei da Xaria. Creio que é esta a direcção que o feminismo ocidental deveria seguir. Só assim se pode tornar global, e recuperar o sentido original do movimento. O de libertar mulheres que vivem verdadeiramente oprimidas.
Já sei, que se alguém ler este post - o que duvido muito -, irei ser acusado de misoginia, e de ser uma pessoa retrógrada. É algo que acontece frequentemente quando alguém não corrobora com a ideologia misândrica imposta pela terceira onda do feminismo.
"misoginia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/misoginia [consultado em 05-03-2019].
"misoginia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/misoginia [consultado em 05-03-2019].

