segunda-feira, 4 de março de 2019

O feminismo de Paula Cosme Pinto

Como primeiro post deste humilde blogue, escolhi o tema do feminismo tão em voga nos dias de hoje devido ao aumento dos casos de violência doméstica que têm ocorrido nos últimos meses em Portugal.

Confesso que não conhecia a autora feminista Paula Cosme Pinto do Expresso, e que apenas tomei conhecimento do seu trabalho há poucos dias.

Fiquei surpreendido com a forma como descreve o mundo. Um mundo injusto marcado pelo patriarcado, onde o homem é claramente o opressor perante uma mulher indefesa, que não se consegue defender por ela própria e que necessita da simpatia de todos por tudo aquilo que tem sofrido ao longo dos séculos. Um mundo que de verdade, não reconheço.

Depois de ler vários dos seus artigos - não os li todos - o que salta à vista é a semelhança nos argumentos com outras feministas internacionais como Anita Sarkeesian, Jessica Valenti ou a veterana, Germaine Greer.

Tudo está lá. A diferença salarial de género, a necessidade de se estabelecer quotas para cargos de chefia, a masculinidade tóxica que precisa ser rapidamente revertida, a brutalidade da violência doméstica cometida pelos homens - e pelos homens só - , o reduzido índice do prisão efectiva para os abusadores, a  questão do consentimento no sexo, o excessivo e injusto trabalho que as mulheres exercem no lar, etc. By the book.

Não duvido que a total igualdade de oportunidades entre ambos os sexos seja a meta a atingir. Se é que não foi já atingida no mundo ocidental. E aqui faço questão de frisar, que me refiro apenas ao mundo ocidental. Quando comparamos outras desigualdes de genero na sociedade, verifica-se que em muitas áreas, a sociedade favorece a mulher (ver dados/links abaixo).

Depois de ler os artigos de PCP o que parece é que não se pretende que haja igualdade de oportunidades, mas sim, igualdade nos resultados dessas mesmas oportunidades. O que é algo distinto. Por exemplo, nas sociedades mais igualitárias como na Escandinávia, as mulheres tendem a escolher profissões tradicionalmente ocupadas por mulheres e não o contrario. Esperaria-se que nestas sociedades houvesse mais mulheres em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como a engenharia ou a ciência, mas o que se verifica é exactamente o oposto. Quanto mais igual é a sociedade, mais as mulheres escolhem áreas tradicionalmente ocupadas por mulheres. No entanto, em sociedade menos igualitárias como na Índia, por exemplo, existem mais mulheres em cargos tradicionalmente ocupados pelos homens.

Neste post não vou discutir todos os pontos referenciados acima que justificam - sob o ponto de vista feminista - a existência do regime de patriarcado que oprime as mulheres e sim apresentar alguns dados, baseando-me no trabalhos de Christina Hoff Sommers e Karen Straughan que contradizem a presunção de que as sociedades ocidentais actuais favorecem os homens.

Alguns dados:

Homens europeus vivem europeus vivem menos anos que as mulheres (Europa)
A partir do ano de 2010, as mulheres europeias começaram a viver, em média, até aos 80 anos, enquanto os homens chegavam apenas até aos 72 anos e meio.

Gap nas universidades favoráveis às mulheres atinge valores máximos (Reino Unido)

Acidentes de trabalho vitimam mais os homens que as mulheres (Europa)

Prisões cheias de homens. Mulheres poucas... (EUA)

Homens recebem penas mais pesadas que as mulheres pelos mesmos crimes
The sentencing gap - Why feminists need to discuss gender disparity in the criminal justice system

A diferença de género no suícidio. Homens suicidam-se muito mais...
In the western world, males die by suicide three to four times more often than do females

Mulheres melhor na escola que os homens
 By virtually every measure, girls are thriving in school; it is boys who are the second sex.

Há mais mulheres do que homens na medicina (Portugal)

Homens abusados fisica ou emocionalmente não têm a quem recorrer. "Man up!"

Inquérito detectou discriminação salarial de homens na Google 
Inquérito interno encontrou uma categoria profissional “particularmente grande” em que os homens estavam a receber menos do que as mulheres.

E a lista poderia continuar.

Se nós - homens e mulheres - lutamos pela igualdade de género deveríamos também, em conjunto, abordar com seriedade os problemas que afectam os homens. Ou os homens não têm quaisquer problemas? Parece que aos olhos das feministas modernas, não! Afinal, segundo estas, a sociedade actual foi concebida de modo a que os homens mantenham o seu status quo à custa de uma perniciosa opressão sobre as mulheres. Por vezes, parece que esta terceira onda do feminismo não é mais do que um "ajuste de contas" com os homens, que algumas mulheres "burguesas" querem levar a cabo devido a uma profunda infelicidade que sentem. Cito a feminista Camille Paglia sobre este último ponto: "Stop blaming men!"

Segundo ainda Camille Paglia"As mulheres ocidentais estão obcecadas com um sistema profissional ambicioso e competitivo, acreditam que não existe mais nada para além disso. Menosprezam a maternidade e são hostis à religião. Esta visão limitada tem impedido que o feminismo se torne num movimento mundial."

Vamos ver agora, alguns dos títulos dos artigos publicados por PCP no jornal Expresso. Segundo a autora, estas são as grandes lutas com que o movimento feminista se depara nos dias de hoje:

Mamilos levados a tribunal 
Três mulheres foram condenadas em tribunal por fazerem topless numa praia de New Hampshire. Em causa está especificamente a exposição pública dos seus mamilos. Quão discriminatório é considerar “indecente” um mamilo feminino mas encarar como aceitáveis os dos homens?

Um decote acentuado faz de uma mulher uma galdéria? 

Quem usa cuecas fio dental não precisa de dar consentimento
 
Não é um incentivo à obesidade, é um elogio à dignidade 
Tess Holliday tem 33 anos e, sim, é obesa. Mas mais do que isso é uma pessoa, e estrela das redes sociais graças à sua mensagem de diversidade. Este mês faz capa da Cosmopolitan UK e basta ver a discussão em torno disto para perceber que capas assim fazem falta. Porquê? Porque ao contrário do que muitos apregoam, esta escolha não é um incentivo à obesidade. É, sim, um elogio à dignidade, ao respeito e ao direito de se existir e de se ser livre, independentemente do corpo que se tem.

Todos os corpos são ‘corpos perfeitos de verão’ 

Enfim...

Na lista de artigos da autora, não encontrei nenhum que se referisse às mulheres que vivem verdadeiramente oprimidas ao redor do mundo. Por exemplo, mulheres que vivem sob a lei da Xaria. Creio que é esta a direcção que o feminismo ocidental deveria seguir. Só assim se pode tornar global, e recuperar o sentido original do movimento. O de libertar mulheres que vivem verdadeiramente oprimidas.

Já sei, que se alguém ler este post - o que duvido muito -, irei ser acusado de misoginia, e de ser uma pessoa retrógrada. É algo que acontece frequentemente quando alguém não corrobora com a ideologia misândrica imposta pela terceira onda do feminismo.
misoginia

"misoginia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/misoginia [consultado em 05-03-2019].
misoginia

"misoginia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/misoginia [consultado em 05-03-2019].